Irene,

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isso vai soar muito, muito estranho para você. Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Provavelmente, quando você for uma mulher (falo na questão da idade: mulher, mais que menina), essa data não terá mais peso, validade, importância. Vai ficar claro para a sua geração que um dia no calendário não paga –nem apaga– nada. A história e o homem, ambos com h minúsculo,propositadamente, têm uma dívida moral com o sexo feminino. Sabe, filha, até bem pouco tempo, não se espante, mulheres não votavam para escolher nossos representantes.
Silenciavam, caso sofressem alguma violência, veja que horror,
por medo. Alcançavam raríssimos postos importantesde trabalho. Não podem (em pleno 2013, filha) escolher se querem ou não ter um filho. Hoje, 8 de março, mulheres receberão uma bexiga ou
uma rosa vermelha nos seus empregos.
Patrões com sobrepeso, sudorese acentuada
ou ansiedade crônica, farão discursos falando sobre a "importância das mulheres naquela empresa". Deixa eu te contar um segredo, filha. Vocês mandam no mundo, desde que o mundo é mundo. Vocês aprendem mais rápido e ensinam o tempo inteiro.
Essa fórmula é imbatível. Por enquanto, filha, veja bem a foto, você depende de alguém para alimentá-la (na foto, sua mãe, a pessoa mais importante da nossa família). Mas depois que você começar a alimentar-se sozinha, seremos todos dispensáveis.
E espero que você escolha nos amar. Porque nós precisaremos de uma mulher como você, no futuro.

Do seu pai,
Pedro.