João,

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carnaval é uma festa que acontece todos os anos lá em Olinda. Um calor desgraçado e a gente ainda inventa de usar fantasias (piratas, palhaços, marinheiros, colombinas e, o principal, as roupas vermelho-e-amarelo, típicas do nosso bloco favorito, o Eu Acho é Pouco, que este ano você passou a chamar de "Acha Pouco"). Fantasia a postos, a gente sai pelas ruas lotadas de várias outras pessoas também fantasiadas – ruas que na verdade não são ruas, filho, são ladeiras e mais ladeiras. E o mais engraçado, você vai descobrir, as ladeiras de Olinda, durante o carnaval, apenas sobem. Não lembro de uma que fosse descida. Mas enfim: esse ano, a gente foi convidado por Juca, Pio, Irene e Tomé para passar o carnaval na casa deles, bem no coração de Olinda (se você fechar os olhos antes de dormir, na cama, vai ouvir o coração da cidade batendo como se fosse um tambor).
A casa do papai e da mamãe da Juca fica dentro de uma sorveteria. Sério, João. Sei que você vai lembrar disso, não dá para esquecer uma coisa dessas. Mas não custa nada eu escrever aqui e resgistrar. Mangaba, graviola, cajá, coco, tangerina, maracujá, limão, goiaba, tamarindo e tantas outras frutas deliciosas, dentro daqueles freezers enormes, dentro da casa. Um sonho. Sua primeira pergunta quando chegou foi "Pai, é a casa que fica dentro da sorveteria ou a sorveteria que fica dentro da casa?". Não importa. É a gente por dentro da gente mesmo tentando descobrir o que nos faz mais feliz, filho, só isso. No futuro, você vai ver um filme chamado
A Fantástica Fábrica de Chocolate. É um clássico. Mas vai lembrar mesmo é da Maravilhosa Casa-Sorveteria do Vovô Vanvan e da Vovó Sônia. A melhor fantasia de carnaval de todos os tempos.


Do seu pai,
Pedro.