João,

06.jpg

você é a minha cara. Ainda mais quando vemos fotos minhas com a sua idade de hoje, 4 anos e meio. Quase iguais, muita gente diz isso. Costumo dizer que sim, também acho, mas que, certamente, você foi aprimorado com a colaboração genética da sua mãe. Sabe, filho, quando ouço esse elogio (sim, para mim é um elogio parecer com você, ou você comigo –a ordem das palavras não altera a alegria de quem as recebe) me deparo diante do maior desafio de ser pai. Encarar o fato de que a nossa maior missão é deixar um mundo melhor para você e sua irmã. Não está sendo fácil, filho. As pessoas parecem ter deixado de olhar para o outro. As pessoas parecem ter deixado de olhar para a cidade. As pessoas parecem ter deixado de olhar para tudo aquilo que as cerca. As pessoas parecem ter deixado de olhar para si próprias, o que é pior. O espelho é cruel. Há muita gente tapando os olhos diante dele. Mas quando a gente resolve enfrentá-lo, o ciclo se inverte: ao olhar para nós mesmos, sem medo, passamos a agir mais pelo que nos cerca, pela nossa cidade, pelos outros. E é assim que a gente cresce. Uma questão de reflexo –e reflexão. Quando olho para você, filho, me vejo.
Me vejo muito melhor.
Hoje e amanhã.

Do seu pai, 
Pedro.