Irene,

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a internet nos afasta. Nos faz ficar cabisbaixos, mais preocupados com o sms enviado, o whatsapp recebido e o doubletap distribuído no Instagram (sério, busca isso, você vai se divertir com essa rede social da minha época). Nos tornamos ausentes. Vamos a festas, shows, bares, exposições e encontros, mas deixamos de conviver com os amigos, pois estamos sempre conectados, digitando, postando, tirando o nosso espírito dos locais físicos e nos transportando para um universo digital paralelo perverso, frio, desumano. Como tudo parece estar interligado, ficamos, então, mergulhados neste imenso vazio junto com muitas e muitas outras pessoas –mas sem vê-las, tocá-las, acariciá-las. O futuro amedronta, filha. Pode ser que as relações humanas sejam todas abaladas por isso e, assim, você e o seu irmão recebam isso de herança da partícula de Humanidade que corresponde à minha geração.

Que absurdo, né, filha? Sabia que tem gente que pensa exatamente assim? Eu não penso. Estou convicto de que tudo isso aqui tem nos aproximado mais e mais daquilo que realmente interessa. Sinto isso na pele. Sinto isso no coração. Sinto muito pelos que não usam a internet a favor das relações sólidas.

Do seu pai,
Pedro.