Irene,

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essa é a minha mãe, Marinês. Mais importante que isso: é a sua avó. Avó é um tipo de anjo que resolveu morar na Terra. Como todo anjo, tem superpoderes. Ela voa, de Brasília para cá, sempre que quer ver você e seu irmão. Tem uma audição especial e consegue ouvir o mínimo ruído que venha do seu quarto. Em alta velocidade, chega lá mais rápido que qualquer um. Tem a incrível capacidade de antever quedas. Mãos mágicas que levam colheradas até a sua boca como se fossem asa-deltas saborosas. Possui um olhar de raio-x que identifica se a tosse é séria ou não. Sua avó voa, eu já disse? E, infelizmente, ontem ela colocou as asas e voltou para Brasília. Deixou a nossa casa mais triste, mais silenciosa (ela ronca) e mais vazia. Deixou seu pai e sua mãe com um aperto no peito. Deixou você e João com saudades. Aliás, vou telefonar e dizer que vocês acordaram procurando por ela. Não precisa. Ela tem superpoderes. Já deve saber.

Do seu pai,
Pedro.

P.S.: mãe, obrigado por ser a avó que você é.