João,

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você acordou no meio da noite, caminhou lentamente até a sala, cumprimentou as pessoas que estavam terminando o jantar, pediu um sanduíche e um leite (você chegou da escola destruído, dormindo, nem havia jantado), sentou no colo da sua madrinha, comeu, contou histórias, falou um pouco da sua vida, perguntou coisas, riu, fez a gente rir, despediu-se, colocou o pijama (sério, você chegou da escola destruído, dormindo, nem trocou de roupa), escovou os dentes, voltou à sala, despediu-se novamente, disse que amava a sua Dinda, foi para a cama, pediu para eu ler uma lenda brasileira, dormiu.
Pode ser que hoje, ao acordar, você tenha apenas uma leve lembrança de tudo isso. Um sonho nebuloso, quase etéreo. Mas foi mais um encontro com Bárbara, que mora longe da gente, mas não sai nunca do nosso coração e do nosso pensamento. A gente tem uma gratidão enorme a ela, por tantas e tantas coisas que você vai saber no futuro –e se orgulhar ainda mais de poder chamá-la de "minha Dinda".
Ontem, filho, você acordou no meio da noite e eu despertei para a importância de fazer escolhas certas para você.

Sua madrinha te ama como se amasse a um filho. Nós a amamos como se amássemos a uma irmã. E você, bem, você acordou no meio da noite só para relembrar a gente o que é o amor. Esse sonho nebuloso, etéreo.


Do seu pai,

Pedro.