João e Irene, no quarto, sozinhos.

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– Me ajuda a fugir daqui.
– Não, eles vão descobrir.
– Vai, João, me ajuda. A gente inventa uma desculpa.
– Tôta, eles são adultos. Ouvem tudo o que a gente pensa.
– Você acreditou nisso?
– É sério. Eles captam quando penso em fazer besteira.
– Você é muito besta.
– Nada. Eles são espertos.
– Vai, João, me puxa.
– Meu pai diz que não posso puxar suas mãos, nem seus pés.
– Bobagem. Puxa, vai.
– Irene, você vai cair do berço, Pirombeta.
– Odeio esses apelidos que vocês colocam em mim.
– Desculpa, Bolota.
– E odeio que você peça desculpas por tudo.
– Nossos pais que me ensinaram.
– João, você é muito certinho.
– Lá vem eles. Finge que está rindo das minhas palhaçadas.

Do seu pai,
Pedro.