Irene,

bom dia.
Há 365 dias, tem sido assim.
Sem você, filha, o sol não aparece, os passarinhos não cantam, os trens não deslizam nos vagões, as lâmpadas dos postes não se apagam, o cheiro da chuva da madrugada não invade as narinas, os ônibus não passam, o pão não fica pronto na padaria, a banca de revistas não levanta as portas de metal, o jornaleiro não faz a esperada entrega, as escovas de dente não trabalham, os engravatados não saem dos bueiros, os ciclistas não encontram as faixas, bancos não abrem, cafés não abrem, olhos não abrem, sirenes não tocam, o vigia não dorme, as mulheres não perfumam as calçadas, o guarda não vai para o farol, o farol não sai do amarelo piscante, oficinas não nos socorrem, as fontes das praças não jorram, museus não funcionam,
casais não correm no parque, fábricas não apitam, secretárias não atendem, o Banco Central não imprime notas, taxistas não reclamam, despertadores não tocam.
Há 365 dias, tem sido assim.
Sem você, filha, o dia não começaria.
Obrigado pelo seu primeiro ano de vida.
Parabéns.
Eu te amo.
Bom dia.

Do seu pai,
Pedro.