Irene,

abri os olhos, hoje, você estava ao meu lado, no chão, com a mão delicadamente apoiada na cama, bem perto de mim, olhando nos meus olhos. Abri um sorriso e você falou com uns cento e oitenta decibéis: paaaaaaaaaai. Você está crescendo, filhinha. Já cresceu muito. E cada dia parece dar um novo salto. Dia desses conseguia esconder-se, de pé, ao lado da cama. Agora, não mais. Consegue se ver no espelho do banheiro, ao subir na pequena cadeira amarela. Alcança novos andares na estante, pega o livro do seu irmão, antes inalcançável. Pega nossos celulares em cima da mesa. Puxa a fruta da mesa da cozinha. Sobe voando no sofá. Desce tranquila da poltrona. Desde que nasceu, você
é pequenina, miúda. E às vezes me peguei pensando se você seria aquela mascote da turma, sabe? Há uns meses, conversei com sua mãe sobre alimentação, estímulos, até sobre conversar com Zé (seu pediatra incrível).
Ela disse-me apenas: ela é das pequenas, só isso.
Eu, preocupado com o seu crescimento, acordei ali. Crescer para fora é um detalhe. Quero vê-la crescer para dentro. Com valores, sentimentos, pensamentos, personalidade e ética. Com aprendizado acadêmico, com aprendizado humano. Com entendimento pleno sobre respeito ao próximo. Vê-la crescer para dentro, filha, em espírito, em alma.
Hoje, ao abrir os olhos, você estava ao meu lado, no chão, pequena, linda, ofertando o bom dia melhor que há. Obrigado, Irene. Você me faz crescer, todos os dias, com cada pequeno gesto.

Do seu pai,
Pedro.