João,

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é pelos seus olhos que enxergo os melhores horizontes. Na sua maneira de lidar com seus amigos. No jeito peculiar que tem de questionar, buscar, descobrir algo novo. É naquilo que está à sua frente que tento me colocar ora como um estímulo (porque tem passos maiores que a perna que dão um pouco de medo mesmo), ora como uma barreira (para protegê-lo do desconhecido, esse monstro com cabelos nas narinas), ora como um silencioso observador (que prefere vê-lo fazer, já, os próprios caminhos). Diante de você, sobretudo, me coloco à disposição. Talvez este tenha sido o maior aprendizado. O que antes era compromisso importantíssimo (lembra dessa época?) torna-se rapidamente um cancelamento, caso você demande algo de mim. O que antes era inadiável, pode tornar-se inexistente na minha agenda, pois a prioridade é você. O que antes era "preciso fazer isso" (assim, afirmativo) tornou-se "preciso mesmo fazer isso?", esta questão que coloca na balança o que realmente importa.
O que realmente importa, filho, é você.
Vê?
Estou disponível. Estou por sua conta. Tenho tempo. O tempo que você quiser.
Hoje, filho, o tempo me diz que estamos comemorando os seus cinco anos. Cinco. Você é um pequeno grande ser humano, com uma personalidade notável. Você é uma das crianças mais amorosas que conheço. Tenho tempo para o seu amor, o tempo que for. Mas saiba que tenho tempos e tempos e tempos à disposição. Para os seus desamores, dúvidas, vontades, percepções, raivas, quereres, buscas, irracionalidades, pensamentos soltos, brincadeiras, papos sérios, sofrimentos, conquistas, passos além, passos para trás.
Conte comigo, filho. Para tudo que vir, para tudo que vier.

Por todos os anos.
E para terminar com a frase que permeia nossa existência até aqui, que define o tamanho exato do tempo, da importância de tê-lo como filho, do horizonte que vejo pelos seus olhos:
– Te amo mais que tudo nesse mundo.

Do seu pai,
Pedro.