João, Irene e Tereza,

das poucas coisas que aprendi, aprendi tudo com essa pessoa aí. A avó de vocês. Demorei muito para me dar conta que pouco vem no sangue – e muito vem ao longo de esforço diário, doação, persistência e crença. Sua avó jamais desistiu de mim, dia algum, momento difícil que fosse. Passamos bons perrengues juntos. Passamos por alegrias incontáveis, conquistas, descobertas. Sua avó, por jamais ter desistido de mim, ensinou o que pôde – que, não por coincidência, era exatamente o que eu precisava para ter valores parecidos com o dela, percepções ora semelhantes, ora completamente distintas, visões de mundo. Por jamais ter desistido de mim, sua avó revelou a força do diálogo, da palavra. Graças a ela, filhos, entendo a importância de enxergar, na nossa família, a maior força que existe (e ao concordar ou discordar, saber que estamos diante, apenas, do exercício natural de fortalecer o pensamento, não permitir que ele acomode-se). Por ter os mesmos amigos desde que a conheço, sua avô (que jamais desistiu de mim), deixou claro o significado das relações construídas debaixo de céu claro ou das intempéries que quase sempre nos fazem pensar em não seguir adiante. Sua avó, sem jamais ter desistido de mim, fez com que eu saiba que jamais irei desistir de nós. Jamais, filhos.

Do seu pai,
Pedro.

p.s.: sua avó também me ensinou a gostar de Caetano (e de Gil, Milton, Melodia, Alceu, Elis, Paulinho, tantos e tantos outros). Obrigado – também - por isso, mãe. Tê-la aqui nesses últimos dias foi uma música. E não imagino outra forma de dizer que te amo sem ser assim. Com uma melodia.