Teresa,

para toda dor, para qualquer sofrimento, na falta (ainda que venha no desespero de uma saudade), no medo, na fraqueza, ou dúvida (o pior dos sentimentos), ou demora, na triste constatação da solidão, quando chão faltar, quando o teto for baixo, o horizonte curto, se o diálogo sumir, a voz subir, o outro fugir, a mão soltar, o abraço findar, o beijo não tiver mais o mesmo sabor de algum lugar da memória que não tenha nome, caso o vento pare, o mar acalme, a canção silencie, o pranto rompa pulmões e peito e narinas e boca, a cabeça quase exploda, o verbo se perca, para todo e qualquer sopro de desesperança, filha, eis a cura. Sua mãe, seu irmão, sua irmã e eu.

Só existimos porque você existe.
 

Do seu pai,

Pedro.