Tereza,

de tantas coisas é feito o amor que, dentre tantas, seria incapaz de dizer uma só que fosse tradução do sentimento mais precioso e que, de fato, nos difere uns dos outros. É aquilo que mais amamos que nos faz diferentes, completamente diferentes, até dos que parecemos tanto. Dou um exemplo. Sua mãe e eu somos muitos parecidos, gostamos de gentes, lugares e coisas muito, mas muito similares.

Mas aquilo que amamos intimamente –aquilo que não é dito, nem visto a olho nu– nos faz únicos. E, assim, nos encontramos e reencontramos diversas vezes até chegar ao que somos hoje: dois seres completamente distintos (quase iguais). Das somas desencontradas do que amamos intimamente, sua mãe e eu encontramos, diariamente, um ao outro –tão parecidos.

De tantas coisas que o amor é feito, até hoje, eu seria incapaz de dizer uma só que fosse tradução deste sentimento mais precioso, que nos difere uns dos outros –que é este tal amor.
Até hoje, eu seria.
Hoje, não mais.
Consigo traduzir em apenas uma única palavra o que é esse tanto amor.
Tereza.
Eis a palavra. Um nome. Seu nome, filha. Este será o seu nome: Tereza.
Venha em paz, com saúde.
Já te amamos.

Do seu pai, da sua mãe, do seu irmão, da sua irmã.