João, Irene e Teresa,

não somos todos macacos.

Mas uma parte de nós é repugnante, preconceituosa, rasa. É uma fração de sociedade não-evoluída, que se locomove sobre os dois membros anteriores por acaso. Animais enjaulados noite adentro, dentro de um escritório asséptico, numa avenida como, sei lá, a Brigadeiro Luís Antônio, destilando a epidemia da falta de pensamento apenas para isso: juntar celebridades para defender que a melhor maneira de combater o racismo é esta, dizer que somos todos macacos. Diante do que esta existência humana nos oferece, garanto: não somos macacos. Humanos, somos iguais. E tão diferentes. O tão apregoado respeito às diferenças precisa do seu alter ego a funcionar: o respeito às igualdades.

O sujeito que atira uma banana em outro sujeito porque acredita que ele é macaco – e não humano, igual a ele, o atirador – tem que ser julgado. Condenado. Menos pela miopia intelectual, ou ausência e deturpação de pensamento, mais pelo princípio violado de respeito às diferenças e igualdades. Tem Lei para isso. Na selva (quando um macaco não respeita as regras do grupo e, por isso, pode ser banido) e até mesmo fora da selva (onde os humanos administram essas questões da Lei). Não somos todos macacos. Quem atira uma banana como desrespeito étnico e ético é criminoso – e nunca deve-se comer a arma do crime, decorem isso.

Yes, nós somos bananas.

Para dar e vender. Bananas e ideias nanicas, tem vitamina de trouxas, somos todos fáceis para dar e vender e enganar. Quando crescerem, procurem no Google: “daniel alves banana racismo barcelona”. Vocês irão entender o contexto – e o texto. Não somos todos macacos, somos quase todos bananas, à medida que estamos vulneráveis a engolir qualquer tipo de ideiazinha atirada da geral por um imbecil que usa o seu dia para pensar em como fazer “uma campanha publicitária que combata o racismo sob a ótica de que somos todos macacos”. Uma campanha de oportunidade diante do fato que poderia ser histórico – ficou apenas patético, perdemos a oportunidade. Fujam dos bananas, filhos.

Somos todos humanos.

Do seu pai,

Pedro.