Teresa,

você tem um meio-riso. Um afluente que antecede o momento das suas gargalhadas, ou que sucede sua observação contida ao admirável. Um meio-riso que ocupa um espaço pequeno no seu rosto já tão expressivo, mas toma praticamente todo o meu peito, que tenta ser grande – e fica apertado quando você chega e ocupa os espaços murmurando sua língua nativa que repete o mantra mais lindo que há, seus ruídos melódicos. Meio-riso, mundo inteiro, filha. Para me provar, de novo (e de novo e de novo) que amor pesa de dentro para fora – por isso a gente sempre aguenta. Vem com seu meio-riso, que eu troco pelo mundo, quer? Meu mundo todinho, pode ficar, é seu. Toma. Vem com esse meio-riso pequeno, anzol, me pega, puxa para perto, lá vou eu, rio acima, rio abaixo, sem ar, ver de perto. Meio-riso terremoto, que me balança. Meio-riso que cobre os meus pés em noites frias como esta. Meio-riso que me derrete inteiro.


E olhe que nem falei dos seus olhos.
 

Do seu pai,

Pedro.