João,

domingo passado, dia 25 de maio de 2014, seu pai foi convidado a dar uma palestra num festival. Palestra é quando você fica de pé e as pessoas sentam para ouvir suas palavras. Lá estava eu, acabando de testar computador, telão, som, para começar. Vejo, no final do corredor deste lugar onde ia ser a palestra, a felicidade.
Você.
Sua mãe o levou, de surpresa, para ficar sentado, ouvindo minhas palavras. Você e sua irmã Teresa – que, por não ter muito interesse no assunto da palestra, dormiu o tempo inteiro. Mas você, não. Prestou atenção em tudo. Perguntou algumas coisas, baixinho. Veio me ajudar, sentado à frente do computador, a passar os slides (slide é quando você acha que tem alguma palavra tão importante a dizer que a transforma em imagem).
A palestra foi ótima. Um monte, um monte, um monte de gente que admiro estava lá, só para me ouvir. Que honra. E você estava lá. Que honra maior ainda. Que alegria maior ainda. Como se não bastasse, filho, na segunda-feira, dia depois da palestra, você dividiu com os amigos, na escola, essa experiência. E aí a sua professora me escreveu isso:
"Ontem, ao chegar na sala de aula, uma das primeiras coisas que João me disse foi: preciso te contar uma coisa muito legal. Sabia que meu pai, esse fim de semana, deu uma palestra? 
Pergunto sobre o que era essa palestra e ele responde, entre risos: "oras, sobre o trabalho dele!". Após um tempo de gargalhadas entre nós dois ele continua. Foi na Escola São Paulo, tem várias por aí, porque o Pio também fez palestra, mas em outra Escola São Paulo. Meu pai queria muito ter ido na palestra do Pio e o Pio na dele – mas se eles fizessem isso ia ser a maior confusão, porque os convidados do meu pai veriam o Pio e os convidados do Pio veriam meu pai. Ia ser maluco, né, Erika? Concordo, enquanto ele dá muita risada. Então pergunto se ele gostou da sua palestra e ele diz "eu amei, meu pai é muito bom e as pessoas também gostaram e olha que tinha muita gente lá. Fiquei com vontade de bater palmas e gritar "bravo", igual a gente faz quando você conta uma história que a gente gosta". Pergunto por que ele não fez isso e a resposta vem com os olhos brilhando de tanta emoção e orgulho: "porque fiquei com vergonha. Mas ele sabe que eu acho ele "bravo", não sabe, Erika?". Então agarro nosso garoto e digo emocionada: Sim, João, ele sabe. Como não amar esse encanto de menino?" 

Bravo, filho. Você é o melhor. E também me faz melhor a cada palavra, a cada palestra sua. Obrigado.

Do seu pai,
Pedro.