Teresa, Irene e João,

fomos todos. Viajamos três horas e algumas décadas. Três horas de avião. Algumas décadas na máquina do tempo que seu bivô pilota quando os encontra. No meio da tempestade (chove em Recife, chove muito no peito dele), o piloto pede para que cintos sejam afrouxados, poltronas sejam esquecidas, o espaço seja aberto para que vocês passem voando. Pela casa, pela festa, pelo fim de semana, pelo sorriso escancarado onde pousa, de improviso, um sorriso. Viajamos décadas junto com esse piloto do tempo que se refaz ao vê-los, ao abraçá-los. 
Vocês não fazem ideia de como é difícil explicar o tempo, filhos. Mas bastou a gente ir ali, uma viagem de três horinhas, para comemorar mais um ano do seu bisavô, vê-los assim com ele, vê-lo assim com vocês, entender que o tempo é simples. O tempo é um senhor de chapéu que nos distrai com felicidade.

Do seu pai,
Pedro.