João e Irene,

olhem para Teresa. Nem sabe falar. Para engatinhar, ainda precisa dar mais uns passos. Aparentemente, entende pouco daquilo que se passa à sua volta. Mas ela diz sim. Com um aceno de cabeça, ao ser perguntada, diz sim. Entendeu o sim. Sabe do sim. Anda dizendo sim por aí. Quer melancia? Balança a cabeça e projeta o corpo. Vem para o papai? Balança a cabeça e quase salta. Quer brincar no tapete? Balança a cabeça e sorri. Cada vez que Teresa sorri, projeta o corpo, quase salta, minha crença no seu futuro aumenta. Dizer sim é uma arte – e nesse mundo maluco, oposto a isso, é uma dádiva. Nesse mundo maluco, da negação, balançar a cabeça, sim, é um sinal de que vai dar tudo certo. Balançar a cabeça, um sinal do corpo pela vontade. O corpo, as vontades, tudo entrelaçado – como deve ser. Simples, sim, muito simples. O sim nos leva mais longe. O sim nos aproxima. O sim desenha um caminho mágico de descobertas que nos engrandece, nos faz melhores, nos permite, nos ensina, nos traz, nos leva, nos faz, nos projeta. Sim, filhos, olhem para a sua irmã. Sim, acreditem no que ela os ensina, desde já. Sim, projetem o corpo, dancem, saltem. Esqueçam o talvez. Por um triz, ele poderia ter sido mais feliz – poderia ter nascido um sim. Sim, filhos, olhem no espelho que é a sua irmã. Digam sim ao amor que alimenta, fiquem fortes, sorridentes, tenham a coragem de saltar abismos, porque do outro lado sempre haverá um abraço para quem diz assim: sim.

Do seu pai,
Pedro