Irene e João (Teresa: serve para você também),

semana passada a gente se despediu da varanda. Foram bons momentos. Ela era um dos lugares do apartamento onde a gente mais ficava, principalmente em dias de verão. A varanda é um portal que nos conecta ao lugar de onde sua mãe e eu viemos. Se há uma coisa que nos faz lembrar do Recife, essa coisa é o vento. Ir para a varanda significava colher acerola no pé, sair do mar desapressadamente, atravessar a rua em busca de sombra, ouvir um pequeno rádio tocar um brega de letra imponderada. Cada vez que o inverno chegava, o portal se fechava e estávamos nós, de novo, diante do meu amado inverno em São Paulo. Gosto dos extremos. Verão acolá, inverno aqui, assim: beijupirá salgado, molho de pitanga; gravata borboleta, camisa rasgada; voz rasgada de Alessandra Leão, sopro manso de Branford Marsalis; deserto, alto-mar; conexão à internet funcionando, celulares fora de órbita. A varanda fazia esse leva-e-traz comigo, filhos. Só que as caixas foram brotando diante dos seus olhos e, num piscar de olhos, estávamos dizendo adeus. Tchau, varanda. Obrigado.
Agora temos um quintal. E esse quintal é o portal para onde queremos ir, filhos. Boa viagem para nós. O novo portal está aberto.

Do seu pai,
Pedro.

ps: na foto, Gabriela e Guilherme na despedida oficial. Espero que estejam com a gente em muitos momentos no quintal. 
ps 2: abaixo, o textinho que deixei no antigo apartamento – mas que estou doido para buscar. Já sei até onde colocar. :-)