João,

pense na vida como uma série de repetições, com pequenas variações, nuances por vezes difíceis de identificar e distinguir, segundos absolutamente relevantes e horas simplesmente descartáveis, momentos para se guardar no peito e instantes para se apagar da memória, pense que tudo ao redor gira porque essa é a natureza do planeta que nos foi dado, mas que andar em círculos é tão ineficaz quanto andar em linha reta, desvie de sorrisos falsos e cruze desertos por um abraço, aceite a visita de quem te visita sem avisar e feche as portas para quem quer entrar quando você sai (lembre que o mundo dá voltas, aliás) – roda mundo, roda peão, roda moinho, roda-gigante – tome dramin e tome tento, porque essa vida trata de tentar nos fazer de tontos, mas nada, nada, filho, sobrevive a um salto certo, no instante apropriado, com pessoas que amamos ao redor.

Do seu pai,
Pedro