Teresa,

ando me sentindo pequeno diante de você. Diante dessa sua capacidade gigantesca de aprender. João e Irene já haviam me mostrado que isso acontece. Acontece que, depois de dois filhos, a gente (que nunca sabe de nada nessa vida) acha que sabe tudo. Vem você e me surpreende de novo. São palavras, caminhos, olhares, repetições imperfeitas de outras imperfeições (nossas) e, assim, novas palavras, caminhos e olhares (só seus). A chave que você usa para abrir as portas e janelas é um sorriso. O seu jeito de se fazer bem-vinda é abrir os braços para os abraços. A descoberta que você fez (tão cedo, filha) é que o mundo fica melhor quando a gente entrega carinho sem sequer saber o que vai receber. Que começa na gente mesmo – e não na expectativa sobre o outro.
Pausa.
Viemos passar o feriado da Semana Santa em Brasília, com sua avó. Ontem à noite, sua mãe resolveu cortar seu cabelo. Um daqueles momentos de renovação – sua e dela (sua quando, ao olhar no espelho, se estranha mas se reconhece; da sua mãe quando, ao terminar o corte, não diz que você está linda, mas sim que está feliz – então está tudo bem). 
Voltemos.
Você parece já ter entendido, filha, que receber o outro com um abraço é brincar na frente do espelho: quem vem de lá repete o seu gesto, também abre os braços. Você já parece ter percebido que existe uma beleza maior em quem sorri gratuitamente para quem vem lá. 
Ando me sentindo pequeno diante de você. Diante dessa sua capacidade gigantesca de ensinar.

Do seu pai,
Pedro