Irene,

como você cresceu em um mês. As suas descobertas foram tantas, seus passos – ora largos, ora pequeninos – foram tão importantes, que só posso encher um balão de orgulho no meu peito em poder dizer: minha filha. Hoje, ao acordar junto com o sol e com esses pássaros que ainda não sei o nome e que habitam as copas das árvores nas nossas janelas, você já era outra, diferente de ontem. Trazia no sorriso de bom dia aquele ar de quem se renovou depois de uma noite inteira de sono, subiu na nossa cama como quem escala uma pequena montanha de amor e nos deu o presente mais esperado. Um abraço. A sensação que tenho, filha, é que a sensação de liberdade que tínhamos até bem pouco em Barbacena era só uma sensação mesmo. Que no fundo, sua mãe, ao manifestar sua dor silenciosa – quando resumiu em “me sinto numa prisão” o que a incomodava numa cidade a qual nunca pertencemos – estava coberta de razão em relação a todos nós. Te ver saltando entre novos sentimentos, correndo por entre jardins de amigos novos, voando nesse céu azul de Brasília (um mar sobre nossas cabeças) é, para mim, um alívio. Alívio, essa forma nobre de felicidade. Estou aliviado por vê-la assim, crescente, livre. Liberdade a gente planta por dentro, mas floresce aqui fora, filha. Vamos regar?

Do seu pai,

Pedro.