Irene,

pensei em escrever sobre amor-próprio. Você descobrir-se, ao longo do caminho, entender que o primeiro amor é o espelho, e precisa ser perene, eterno. Uma espécie de proteção constante contra a crueldade esquistamente natural de um mundo onde o outro nem sempre é respeitado. Mas desisti.


Pensei no caminho do autoconhecimento. Sua mãe tem falado muito sobre isso com as clientes dela. Fico espantado como a inteligência (emocional e a outra) e a segurança (acadêmica e a outra) adquiradas pela sua mãe a transformaram numa profissional tão relevante na área dela. Cada passo dela em direção a uma cliente é um passo (sempre) de amor, de construção de um novo momento na vida delas, através desse tal autoconhecimento. Ela é melhor nisso que eu. Vou deixá-la falar sobre esse ponto com você, mais tarde. Desisti deste tema, também.

Me veio, então, a vontade de falar para você sobre a necessidade que temos de nos ouvir, de conversar com os nossos botões antes de tomar decisões importantes. As decisões não importantes, a gente não precisa pensar. Elas servem a isso mesmo: fazer com que a gente erre, tropece, caia, levante e entenda que esse exercício sangra, mas fortalece a musculatura cardíaca. Dia desses, vi a capa de um livro que retratava uma mensagem do tipo "se os seus amigos estão indo todos na mesma direção, eles estão todos errados". É preciso ouvir-se, respeitar seus instintos - mas não, não é esse bem o foco que imaginei ser o ideal para hoje.


Finalmente, me ocorreu que a nossa casa tem apenas esse espelho de corpo inteiro. Vou providenciar um para o seu quarto, filha. Simplesmente porque é importante que você aprenda a refletir.

Do seu pai,

Pedro.