João,

ser o primeiro é uma tarefa e tanto. Uma hora, você é grande demais: precisa ajudar sua irmã, prestar atenção no caminho, escovar-os-dentes-tomar-banho-fazer-xixi-pendurar-a-toalha, arrumar a mochila sozinho para dormir na casa de um amigo (aliás: dormir na casa dos amigos é um item nessa categoria aqui), organizar os brinquedos, forrar a cama, esperar. Espera. Tem o outro lado. A outra hora. Nessa outra hora, você ainda é pequeno: não pode dormir tão tarde, precisa da nossa ajuda para amarrar os sapatos, nem pensar em viajar sem a gente, coma-tudo-beba-o-suco-não-esqueça-a-fruta, pode ficar na nossa cama hoje, claro, pesadelo é fogo mesmo.  Vamos combinar o seguinte, filho. Aqui em casa, ser o primeiro é simples – é ser único. Você é único, filho. Com tantas qualidades. Somos completamente apaixonados por você. E a nossa expectativa em relação ao seu futuro é simples, direta e reta. Queremos que você seja uma pessoa boa. Para começar, um menino bom. Você tem apenas 5 anos e adoramos que você tenha essa idade. Quando ajuda a sua irmã, a gente fica feliz. Quando pede nossa ajuda para amarrar o cadarço, isso também nos deixa felizes. O importante, o fundamental, é você saber que pode contar com a gente em todos os momentos. Todos. Sempre.
Sabe, filho, quando sua mãe estava grávida de você e pensávamos muito sobre como seria receber um menininho em casa, jamais imaginamos que viria um cara assim. Sensível, amável, gentil, doce, companheiro, inteligente. Você é o melhor primeiro filho que poderíamos ter. Você será sempre o melhor primeiro filho que a nossa família, sua mãe, suas irmãs e eu poderíamos sonhar em ter por perto, ao lado, do lado.

Para toda a vida.
Ser o primeiro não vai ser uma tarefa, filho. Vai ser um recreio.

Do seu pai,

Pedro.