Irene,

esta será uma das poucas, raras vezes em que o papai vai aparecer aqui. Esse espaço precisa ser de vocês. E será. Mas os motivos são bons para eu estar aqui, ao seu lado.


Antes de mais nada: ganhei essas duas fotos lindas da Maria Paula, fotógrafa. Estávamos no casamento de Michelle e Thiago e ela fez alguns cliques e até um filminho (lindo e delicado) seu, engatinhando pelo salão onde os noivos dançavam. Obrigado, de coração, a Maria Paula pelas fotos. Uma alegria ver essa pequena sorrindo, assim, e eu ao seu lado.

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Voltemos.
O motivo para aparecer aqui é o que vejo na foto, filha. A possibilidade de ser colo para você. Tem gente que chama o gesto de "carregar o bebê". Não. Falo de algo muito diferente disso. Falo de ser colo. A possibilidade de ser colo para você, no início, me assustou demais. Porque o universo feminino tem nuances, particularidades, motivações tão desconhecidas, para mim, que imaginei, antes da sua chegada, que seria um péssimo pai de menina. Projetava –sem exagero– você até os 15, 16 anos e eu sem saber onde colocar os pensamentos e as palavras diante dos tantos desafios (imaginários) que iria enfrentar. Testei, várias vezes, a observação, um método antigo e eficaz. Olhava com admiração para o seu tio João, pai de Elis e Nina. A maneira como ele lida com as duas sempre me comove. É lindo de ver. Olhava para Marcelo, pai da Tereza e da Izadora. Um pai doce com meninas ainda mais doces, pelo resultado da mistura com a mãe, Mariana. Aurélio e sua Ana. Pio e sua Irene. De repente, notei que o desafio sempre corresponde, em tamanho e intensidade, ao enorme privilégio que é ser pai de uma menina.
Aí vem você. Logo você, filha. Poderia ser qualquer outra Irene, ali, nascendo, chegando, comendo, sorrindo, chorando, reagindo ao mundo. Logo você. Uma menina curiosa, atenta (não sei a quem puxou, porque nessa família esse artigo anda raro), corajosa. Uma menina que (já) gosta de dançar em público. Que se comunica na mesa do bar com amigos que sorriem para você gratuitamente e você devolve pelo mesmo preço. Uma menina que nem imagina quanto caminho ainda vai percorrer nessa vida.

Mas que precisa, hoje ainda, saber que jamais irá sozinha.


Do seu pai,
Pedro.