João,

persistir é um dom. Mas deixa eu aliviar uma angústia que o seu peito ainda nem sentiu. A gente, sabe-se lá a razão, recebe um aviso estridente quando se depara com alguém que irá nos acompanhar na jornada inteira. Pode ser uma reação química que nos acenda. Pode ser uma reação física que nos cole. Pode ser uma reação biológica que nos faça suar. Mas o aviso vem. Persistir com as pessoas certas, filho, é um dom. E desistir das pessoas erradas é uma arte.

Do seu pai,
Pedro

João,

você nem sabe, mas quando a gente vira pai – principalmente pai de pessoas como você – alguns assuntos são resolvidos de forma surpreendente. Vou te contar sobre o sábado passado. Passamos na frente do Estádio do Pacaembu e vimos um movimento atípico – melhor: típico. Um amontoado de vermelho, branco e preto, meio dispersos, meio concentrados. Você teve a visão e a ideia. Tem jogo, pai. E é do São Paulo. Vamos ver? Nunca me contaram direito, eu não perguntei – histórias dolorosas me deixam aturdido – mas meu avô Hilton começou sua trajetória trágica justo num campo de futebol. Passou mal durante um jogo do Santa Cruz, o tricolor pernambucano, no Estádio do Arruda. No filme que guardei na gaveta das dores, dali ele saiu direto para uma cama da qual nunca mais se separou. No começo ia pela rua com extrema dificuldade, apoiando-se nos muros desbotados, num esforço tremendo mais para dizer que caminhava do que para conseguir verdadeiramente caminhar. Foi perdendo os movimentos. Poucas palavras, quase nenhum gesto, um choro descomedido, por tudo e por nada. Eu só via o seu bisavô na horizontal. Ele era uma paisagem. Até que um dia, filho, acabou: meus olhos viram o não-horizonte pela primeira vez. Tinha medo dos estádios. Fui umas vezes com meu pai, mas sempre temia que o jogo terminasse antes do tempo. Não para mim, para os que me cercam, como foi com seu bisavô. Tive esse medo com meu pai. No sábado, ao entrar na fila para comprar os ingressos, tive medo. Chovia forte, raios estrondosos, granizo vindo do céu chumbo. Você e eu compramos capas de chuva. Tive medo de entrar no estádio, dos refletores apagarem, de não ver mais o gramado, horizonte único por ali. Tive medo do desconhecido, da história não narrada sobre seu bisavô. Tive medo de estar suscetível a essas coisas que interrompem o jogo. Tive medo. Você pediu o celular, perguntei para quê, você disse deixa comigo, deixei. Você abriu o aplicativo de previsão do tempo. Vai parar de chover, pai. Vai ser um jogão e a gente veio. A gente conseguiu. Você consegue sempre, filho. Obrigado.

Do seu pai,

Pedro

Irene,

[foto: Lua Fonseca]

[foto: Lua Fonseca]

as pessoas se beijam como se não houvesse amanhã, já que talvez realmente não haja. Homens e mulheres. Mulheres e mulheres. Homens e homens. Uma nostalgia permanente, suspensa, vontade de matar saudades ainda que nem mesmo existam. Um prurido incontinente para que a porta de casa se abra e a rua entre, eufórica. Os sons de palpitação extrapolando o peito, batendo cadenciados em tambores graves. Tum. Tum. Tum. Um fedor de amor. Tecidos tão coloridos que ardem os olhos, nos brilham por fora e por dentro – colorem o bloco da razão, que se perde. E no emaranhado de horas, esquecemos de voltar. Para que voltar? A gente serve para ir. E vai. Sempre tem alguém em cima de um muro que grita Mas a quarta-feira de cinzas vai chegar, pode apostar. Elas são minoria, as quartas. Primeiro vem as terças e as segundas. Um domingo. Um sábado. E antes, bem antes, vem uma semana inteira, um mês, quiçá, se a gente souber nomes de muitas cores para usar. São dias para não tentar convencer ninguém de nada, de nenhuma das nossas ideias (em algum lugar do Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera fala "persuadir uma pessoa a não seguir o coração é obsceno" – tenta ler esse livro, filha). São dias onde cada um sai de casa com sua ideia e todas elas, as ideias, se desencontram juntas, para que ninguém nos diga o que é certo ou errado. São dias sem o errado. E sem o certo. Os passos passam rápidos. São frevos, marchas, sambas, afoxés, maracatus. Irrecuperáveis refrões de amor, impensáveis danças – mesmo que se tenha um estandarte nas mãos. O estandarte, essa bandeira que jamais será fincada. Rostos desconhecidos que nos sorriem sem esforço. Lágrimas que chovem da memória. Desencontros felizes, encontros trágicos. Tubas. Tubas, filha. Os instrumentos com alma de elefante. Ruas tomadas pelos seus donos, uma multidão de sonhadores que temem um único pesadelo. Que haja amanhã.
É quando o mundo desiste de apenas resistir. E resolve existir. A isso, filha, deu-se o nome de carnaval.

Do seu pai,
Pedro
 

Teresa,

há exatamente um ano, presenciei um episódio e tanto. Um rio nascer. A primeira gota de chuva cair. O raio inaugural do sol entrar pela fresta da janela. Uma lágrima solitária escorrer pelo rosto ainda seco. Uma onda imensa quebrar numa parede de arrecifes. Um pequeno botão de flor deixar de ser botão e virar flor. Um sapoti cair do pé. Uma nuvem encontrar com outra e descarregar um clarão no céu. Um acorde anunciar que Cartola chegou ao toca-discos. O vento afastar as copas da árvore para a gente ver o azul que havia depois do verde. Há exatamente um ano, filha, tocou o sino de igreja numa pacata cidade do interior. Um cheiro novo saiu da cozinha e tomou conta da casa inteira. O galo cantou. O trem passou e apitou junto com a fábrica de tecidos. Há exatamente um ano. Um choro. Um sorriso. Um abraço. Um rio. Uma chuva. Um mar. O sol. O vento, as árvores, a flor. Cartola. O sapoti. O sino, a fábrica de tecidos, um perfume da cozinha. Era cedo e o galo, ainda que existisse um pelas redondezas, não havia acordado para cantar. Era cedo e saímos de casa. Porque você havia decidido que o mundo existiria, a partir daquele momento, para você. Há exatamente um ano.
Parabéns, filha. Que mundo lindo você me deu. Obrigado.

Do seu pai,
P.

Teresa (Irene e João: serve para vocês também),

de todos nós, você será a única que começa com direito a quintal. Sobre a sua cabeça, nada exceto o céu indeciso de São Paulo. Para o seu tamanho, o nosso pequeno espaço deve aparentar um mundo. E essa perspectiva, filha, pode acompanhá-la em toda a sua existência. Nos colocar do tamanho certo diante das possibilidades. Somos pequenos. As possibilidades e caminhos e horizontes – estes são o oposto. Repentinamente, mudar de direção: pode. Sentar e contemplar o nada: pode. Cuidar das folhas durante horas: pode. Aproveitar o sol: pode. Tomar banho de chuva: diria que é uma obrigação. Fazer uma roda de amigos: pode. Ficar absolutamente só, numa noite de lua, tentando entender como engolimos uma alma que agora habita nosso corpo: pode. Em certos momentos, lá no futuro, pensamentos tortos irão passar pela sua cabeça, tentando de alguma forma dizer que você cresceu, que o mundo diminuiu ao seu redor, que essas coisas não importam tanto. Filha, quando isso acontecer, vá para o deserto. Vá para o alto-mar. Vá para a floresta. O maior rio, chapada, vale, montanha. Vá. Coloque-se, de novo, pequena diante do que nos cerca. Veja, novamente, os horizontes te oferecerem cores sem nome. As possibilidades te darem placas de caminhos desconhecidos pelo meio do nada. Assista de perto o pôr-do-sol mais distante que seus olhos jamais viram e lembre que, depois, virá uma noite, depois outro dia, depois recobre a memória que esse ciclo vive em você. E não de um lado de fora qualquer. Sinta-se esmagada pela imensidão do espaço vazio, que nos coloca do tamanho certo para enxergar mais e melhor. Nessa pequenez, nunca te faltará quintal.

Do seu pai,
Pedro.
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Teresa e Irene (João: serve para você também),

uma lista de regras porque isso aqui está sempre muito livre e solto e pais existem para isso. Elaborar regras que determinem uma conduta aceitável. Vamos lá. Regras. Claras. Rígidas.
1. baguncem: a vida, os cabelos, as gavetas. Desconfiem de tudo, tudo que aparentar arrumado demais.
2. corram: se o espaço for mínimo – mas ainda assim possível – acelerem o passo. Correr nos dar o poder de fazer vento no rosto. Brincar de deus, ora. Agora, se o espaço for grande, voem.
3. se abracem: irmão abraçado faz muralha. Protege, acolhe.
4. falem um pouco mais alto que o necessário: onde tem voz de criança, no bairro, tem vida. Uma rua sem ruídos infantis é um beco sem saída.
5. tomem banho frio: rápido (por causa da falta de chuvas), mas tomem. Banho frio faz a gente lembrar dos ossos. E que estamos inteiros. Isso é para a vida.
6. comam juntos: fazer uma refeição sozinho é como rezar para um deus surdo. Quando os três estão à mesa, a alma se alimenta. 
7. leiam: é a única saída de emergência que salva do incêndio lá fora.
8. sujem a casa: isso indicará que vocês vieram de algum lugar divertido e que poderão se divertir limpando tudo, juntos, depois. Fazer faxina é melhor que fazer terapia.
9. ouçam sua mãe: ela é a única pessoa do mundo que não irá disputar com vocês o que é certo e o que é errado. Quer apenas que vocês sejam felizes.
10: tenham um quintal: baguncem, corram, se abracem, falem alto, tomem banho frio, comam juntos, leiam, se sujem e ouçam sua mãe quando ela disser que é hora de entrar em casa.

Do seu pai,
Pedro

Irene e João (Teresa: serve para você também),

semana passada a gente se despediu da varanda. Foram bons momentos. Ela era um dos lugares do apartamento onde a gente mais ficava, principalmente em dias de verão. A varanda é um portal que nos conecta ao lugar de onde sua mãe e eu viemos. Se há uma coisa que nos faz lembrar do Recife, essa coisa é o vento. Ir para a varanda significava colher acerola no pé, sair do mar desapressadamente, atravessar a rua em busca de sombra, ouvir um pequeno rádio tocar um brega de letra imponderada. Cada vez que o inverno chegava, o portal se fechava e estávamos nós, de novo, diante do meu amado inverno em São Paulo. Gosto dos extremos. Verão acolá, inverno aqui, assim: beijupirá salgado, molho de pitanga; gravata borboleta, camisa rasgada; voz rasgada de Alessandra Leão, sopro manso de Branford Marsalis; deserto, alto-mar; conexão à internet funcionando, celulares fora de órbita. A varanda fazia esse leva-e-traz comigo, filhos. Só que as caixas foram brotando diante dos seus olhos e, num piscar de olhos, estávamos dizendo adeus. Tchau, varanda. Obrigado.
Agora temos um quintal. E esse quintal é o portal para onde queremos ir, filhos. Boa viagem para nós. O novo portal está aberto.

Do seu pai,
Pedro.

ps: na foto, Gabriela e Guilherme na despedida oficial. Espero que estejam com a gente em muitos momentos no quintal. 
ps 2: abaixo, o textinho que deixei no antigo apartamento – mas que estou doido para buscar. Já sei até onde colocar. :-)
 

Teresa,

parece fácil, para quem olha do alto. Mas basta deitar um pouco a vista, descer ao horizonte do chão frio, esse alento em tempos de seca, contemplar os mundos delicadamente menores, para enxergar o invisível. É difícil. Um pé, depois o outro – e enquanto o deslocamento de todo o planeta acontece, indo para trás suavemente, com a força que nos é possível fazer. Com o alcance que nossas pernas têm – nem mais, nem menos. A medida exata do (com)passo particular de cada caminhante e do seu caminhar. Mais um passo, empurramos o planeta para trás um pouco, depois outro pouco e, de pouco em pouco, o planeta gira todinho. Você vai aprender nas aulas de ciências, filha, que este movimento da Terra faz ponteiros girarem, marés subirem, ventos balançarem os cabelos das mangueiras, nuvens passarem sobre nossas cabeças de algodão, chuvas subirem jardins. A cada pequeno empurrão que você deu – no domingo, dia 16 de novembro de 2014, meu mundo escapuliu para trás deixando ponteiros atrasados, o futuro invisível, menor, e o ontem distante demais para que eu percebesse que, poucos segundos antes, poucos ventos e marés passados, você era uma bebê que não andava. E que justo agora, no instante em que presencio e filmo e vejo na tela e olho daqui, do horizonte do chão frio, tudo ao mesmo tempo, entendo que o tempo sequer existe. O tempo não passa de uma desculpa para a gente aprender a andar de novo – como se fosse a primeira vez.


Do seu pai,
Pedro

João,

pense rápido.

O tempo, desgovernado, atropela vontades, respiros, pausas. Eu poderia dizer que o relógio, assassino, persegue o tempo e aumenta a correria. O ponteiro maior acelera. O ponteiro médio acelera. O ponteiro menor disfarça sua lentidão e, num piscar de olhos nosso, avança uma casa. Cada piscar nos leva a um horizonte novo – na volta dessa rápida escuridão. Corra, filho, corra. Ninguém espera mais. Avance duas casas. Ninguém deixa que você conclua o pensamento. Na primeira vírgula da sua fala, o interlocutor já está pensando mais na resposta que vai dar do que prestando atenção no que você (ainda) está falando. O telejornal (você não irá saber o que é isso daqui a dez anos, esqueça). Os jornais estão cada vez mais pobres de assunto. Textos são substituídos por duas ou três palavras que atraiam olhares desatentos dos leitores. Pouco importa. Geração skip, filho. Gente que não fica, mas passa pelas coisas, pelos outros, pelos cenários, por mais deslumbrantes que sejam. Pressa. Eu poderia dizer que o relógio persegue o tempo e aumenta a correria. Poderia. Não direi.
Pense rápido, filho. Desacelere agora mesmo. Nada é urgente – só gente. Corra da pressa. Corra, filho, pare. Pause. Veja o tempo. Observe. Ele passa suavemente por nós quando, finalmente, entendemos que o piscar de olhos é fundamental para que se enxergue melhor o próximo horizonte. Respire. Respeite o tempo do outro. Ouça. Pense rápido, filho. Amanhã pode ser cedo demais para começar algo novo. Volte duas casas. Sua vez.

Do seu pai,
Pedro.

 

p.s.: dia desses, li um texto maravilhoso de Juliana Cunha (aqui) sobre colocar espaço entre as coisas. Sim, é preciso (obrigado, Juliana). Entre olhos abertos-olhos cerrados-olhos abertos, é preciso respirar. Não pense frevo. Pense sinfonia, filho. Descarte a imagem de cima. Fique com essa aqui embaixo. Você e seu amigo Joaquim, hoje. Amigos amanhã. O tempo ainda não veio, mas já perdeu.
 

João, Irene e Teresa,

tentem fazer isso em casa. Sim: tentem. Afastem nossa mesa de centro cinza. Aquelas cadeiras coloridas. Tirem o coelho vermelho de perto da estante. Removam a poltrona roxa e o frigobar vermelho. Deixem apenas o sofá. É de lá que vocês irão saltar. Tudo pronto? Agora vamos ao salto.

Estudei numa escola pequena até os 14 anos. Escola Recanto Infantil. Esse nome incomodava um bocado aqueles alunos que teimavam em queimar etapas – os caras que aos 11 anos queriam ser donos do nariz, as meninas que aos 12 anos tinham certeza que eram mulheres feitas. Eu sempre fui um daqueles meninos que aproveitavam a sua própria idade. Por vezes era chamado de bobo por conta disso, por não querer repetir as peripécias dos tão amadurecidos colegas. Sempre fui medroso, vocês sabem. Depois do Recanto, fui para o Marista São Luís. Um colégio predominantemente careta, com valores religiosos bem definidos e pessoas muito, muito diferentes de mim em sua maioria. Havia muita gente rica, filhos. E seu pai, vocês sabem, não tem raízes fincadas nesses jardins. Achava estranho que, aos 16 anos, um colega chegasse dirigindo o seu próprio carro. Achava distante a realidade dos que se despediam repentinamente pois iam passar um ano em intercâmbio nos Estados Unidos. Achava assustador que as calças, sapatos e camisas de boa parte deles fossem quase sempre das mesmas lojas e, por sinal, caríssimos, inacessíveis para mim. No meio de uma realidade distante, tão distante, procurei olhar ao redor e encontrar meu mundo. Aprendi que é duríssimo fazer escolhas quando somos jovens. Injusto, até. Mas nesse caso, era preciso. A escolha era uma forma de sobrevivência numa selva onde eu, certamente, não era o leão. Foram três anos ouvindo muito sobre Marcelino Champagnat e pouco sobre Jean-Jacques Rousseau. Foi péssimo. Ainda assim, aprendi sobre abismo social. Foi ótimo. O que não aprendi sobre física (nunca vi uma aula completa em toda a minha vida); o que não aprendi sobre biologia (pela minha incapacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo e no horário da aula eu tocava na missa do colégio); o que não aprendi sobre química (o professor Guilherme me dava um sono desagraçado); o que não aprendi no quadro-negro, filhos, me foi ensinado por poucos amigos que, repentinamente, compunham o meu mundo inteiro – dentro deste outro mundo ao qual não pertencia. Eram poucos. Mas tão bons, tão bons, que estamos aqui, 25 anos depois, falando deles. Porque esse é o salto, filhos. Escolher é saltar. A minha escolha foi acreditar que ter esses amigos por perto seria, provavelmente, o melhor caminho que eu poderia seguir. O mais valioso. Ali, naquele momento, tivemos a ideia de fazer uma banda. A gente queria se divertir. No nosso mundo, uma regra fundamental: criar mecanismos de diversão que dependam pouco (ou nada) de dinheiro. A gente investiu toda a energia que tinha. A gente investiu todo o amor que tinha. A gente investiu tempo, talento e coragem. A gente fez mais amigos. E mais. E mais. E, ao notar, a gente estava num mundo novo, enorme, onde não importava a calça, o sapato, a camisa. Onde o intercâmbio acontecia quando um olhava no olho do outro e ouvia. E respeitava. O mundo ficou enorme. E já não era nosso. Era um mundo que a gente acreditava demais – sem saber que já existia. Estávamos em casa. Em casa. Afastamos a mesa de centro, a poltrona, as cadeiras, o coelho vermelho, o frigobar. No próximo dia 21 de novembro, vamos nos reencontrar, lá no Recife. Vamos, filhos. Venham comigo. Já estou em cima do sofá. Vamos saltar.

Do seu pai,

Pedro