Saudade, Weno.

Entra, senta, conversa e sai. Sai diferente do que entrou. Da entrada ao café, o menu era assunto. Ao redor da mesa, o alimento. Gente. Quis saber da Suécia, a viagem. Você me contou do encontro com o desconhecido que também gostava de cozinhar e entrar em lugares onde nunca havia ido antes apenas pelo prazer de degustar a surpresa – uma viagem. Quis saber da mistura da mãe portuguesa com o pai filho de japoneses. Sai fartura e disciplina, você me disse. Sai você. Generosidade em abundância, talento nato convertido em habilidade inata. No meu baú de curiosidades sobre você, amigo, havia ainda o tema casamento. E seu olho brilha como quem fala música. MaWa é daquelas mulheres que só se apaixonaria por um cara feito você. Ela é tão verdadeira e honesta com seus próprios valores quanto você. Até que chegamos a um dia desses e vocês dois já não são mais dois. São um mundo, são três. Michel chega. Mais um para essa mesa que cabe tantos, cabe tanto.

A receita de amor perpetua-se desse almoço marcado aos encontros inesperados. Há pouco dissabor, quase nada; há apenas a delícia de dividir um tempo bom. O tempero daquelas amizades que cozinham lentamente, em fogo brando. Nos vemos menos do que eu gostaria, mais do que mereço. Você é da troca e quanto mais gente trocar com você, melhor ficam as pessoas que sentam à mesa para um bacalhau, numa sexta, sem pressa. Que mais gente mate essa saudade por mim.